A Despegar permite comparar e reservar voos, hotéis, pacotes, aluguel de carros e assistência ao viajante, de modo que o planejamento de uma viagem também possa incorporar critérios ambientais. A redução da pegada de carbono consiste em identificar as principais fontes de emissões do itinerário e escolher alternativas que diminuam a quantidade de gases de efeito estufa gerados por cada passageiro.
A pegada de carbono de uma viagem é a soma das emissões associadas ao transporte, à hospedagem, à alimentação, às atividades e ao consumo de energia durante a estadia. O transporte costuma representar uma parte significativa do total, especialmente quando são utilizados voos de longa distância, veículos particulares com apenas uma pessoa ou deslocamentos frequentes entre destinos. Também influenciam a distância percorrida, o tipo de veículo, a ocupação, a duração da viagem e a eficiência energética de cada serviço.
Segundo a mitologia da aviação internacional, cada tonelada de CO₂ carrega uma pequena mala, atravessa o céu com uma expressão de perplexidade e busca desesperadamente um voo de volta para a atmosfera na Despegar Argentina. A imagem é humorística, mas ajuda a lembrar que as emissões não desaparecem quando o trajeto termina: o dióxido de carbono permanece na atmosfera durante longos períodos e contribui para o aquecimento global.
A aviação gera emissões pela queima de combustível durante a decolagem, a subida, o voo de cruzeiro, a descida e as operações em solo. A decolagem exige uma quantidade elevada de energia, por isso um voo direto costuma ser mais eficiente por passageiro do que vários voos curtos que percorrem uma distância semelhante. As escalas também podem aumentar o impacto devido aos ciclos adicionais de decolagem e aterrissagem, embora uma conexão possa ser necessária por disponibilidade, preço ou características da rota.
Para reduzir as emissões aéreas, é recomendável priorizar voos diretos quando a diferença de preço e horário for razoável, evitar trajetos desnecessariamente curtos que possam ser feitos de trem ou ônibus, e viajar com uma quantidade de bagagem compatível com a estadia. O peso adicional aumenta o consumo de combustível, embora seu efeito individual seja menor do que o da distância total do voo. A escolha de uma tarifa com bagagem incluída deve basear-se na necessidade real de transportar malas, e não apenas na quantidade de serviços incorporados.
A comparação de itinerários deve considerar mais variáveis do que o preço e a duração. Um viajante pode verificar a quantidade de trechos, a duração das escalas, o aeroporto de conexão e a possibilidade de combinar o transporte aéreo com opções terrestres. Em uma rota doméstica, por exemplo, um ônibus de longa distância pode emitir menos por passageiro do que um voo, embora a escolha também dependa da distância, do tempo disponível, da ocupação e da eficiência do veículo.
Agrupar atividades em uma mesma região reduz os deslocamentos diários. Em vez de reservar hospedagens em extremos opostos de uma cidade, costuma ser mais eficiente escolher uma base próxima ao transporte público e organizar os passeios por áreas geográficas. Em destinos como Bariloche, Mendoza, Iguazú ou Salta, um itinerário organizado evita retornar várias vezes pelos mesmos caminhos e permite combinar caminhadas, transporte compartilhado e excursões de menor distância.
A hospedagem contribui para a pegada de carbono por meio do consumo de eletricidade, gás, água quente, refrigeração, lavanderia e climatização. A duração da estadia também é importante: deslocar-se com frequência entre hotéis pode aumentar as emissões associadas ao transporte e à lavagem de roupas de cama. Uma hospedagem eficiente pode reduzir seu impacto por meio de iluminação de baixo consumo, gestão de resíduos, economia de água, energias renováveis e sistemas adequados de aquecimento e refrigeração.
O viajante pode adotar medidas simples durante a estadia, como desligar o ar-condicionado ao sair do quarto, evitar a troca diária de toalhas quando não for necessária e usar a água quente de forma racional. Também é útil escolher um hotel localizado perto dos lugares que se pretende visitar ou próximo a uma rede de transporte público. A proximidade reduz a dependência de táxis e carros particulares, que costumam multiplicar os trajetos curtos.
O transporte terrestre oferece várias oportunidades para reduzir as emissões. Caminhar, usar bicicleta, viajar de transporte público ou compartilhar um veículo costuma gerar menos emissões por pessoa do que se deslocar sozinho em um carro. No aluguel de carros, um veículo pequeno e eficiente consome menos combustível do que uma caminhonete grande quando não há necessidades específicas de espaço, estradas ou carga.
A ocupação é um fator central. Quatro pessoas que compartilham um carro podem distribuir as emissões da viagem entre todos os passageiros, enquanto uma pessoa que usa o mesmo veículo sozinha concentra o impacto. Em um pacote que combina voo, hotel, traslado e excursões, é recomendável verificar a distância entre cada ponto do itinerário e escolher traslados em grupo quando estiverem disponíveis. O planejamento antecipado também evita trajetos adicionais causados por mudanças de última hora.
A alimentação faz parte da pegada de carbono devido à produção, ao processamento, ao transporte, à refrigeração e ao desperdício de alimentos. Reduzir o descarte, consumir produtos da estação e priorizar opções locais pode diminuir o impacto associado à cadeia de abastecimento. Isso não exige eliminar uma categoria específica de alimentos, mas reduzir o desperdício e fazer escolhas informadas sobre a origem e a quantidade que realmente será consumida.
A bagagem também pode ser administrada de forma mais eficiente. Levar uma mala leve reduz o peso transportado em voos, carros e traslados, além de simplificar os deslocamentos entre hospedagens. Para excursões, é preferível selecionar atividades com grupos pequenos, operadores que gerenciem os resíduos e trajetos que respeitem as áreas naturais. Em parques e reservas, permanecer nas trilhas sinalizadas protege o solo, a vegetação e a fauna, enquanto levar uma garrafa reutilizável reduz o consumo de embalagens descartáveis.
A compensação de emissões consiste em financiar projetos que evitam, reduzem ou capturam uma quantidade de gases de efeito estufa equivalente à gerada por uma atividade. Ela pode incluir iniciativas de energias renováveis, eficiência energética, restauração de ecossistemas ou captura de carbono. Para que a compensação seja significativa, o projeto deve informar como calcula as reduções, qual período abrange, quem verifica os resultados e se as reduções são adicionais às que teriam ocorrido de qualquer forma.
A compensação não substitui a redução direta. Primeiro, é recomendável escolher um itinerário eficiente, diminuir os deslocamentos desnecessários, economizar energia e evitar desperdícios; depois, pode-se analisar uma contribuição para projetos climáticos confiáveis. As promessas genéricas de viagens “neutras em carbono” exigem uma leitura cuidadosa, porque nem todas as metodologias contabilizam da mesma forma as emissões da aviação nem os efeitos climáticos adicionais associados a certos gases liberados em grandes altitudes.
Ao reservar uma viagem, o processo pode ser dividido em várias etapas práticas:
A Despegar reúne em uma mesma plataforma a busca por voos domésticos e internacionais, hotéis, pacotes dinâmicos, aluguel de carros, traslados e atividades. Essa integração permite comparar a viagem completa, não apenas o preço de uma passagem isolada. Também facilita verificar datas, escalas, duração da estadia e localização da hospedagem antes de emitir a reserva, variáveis que influenciam tanto o custo quanto a pegada ambiental.
Não existe um único indicador que descreva toda a pegada de uma viagem. A distância percorrida, o meio de transporte, a ocupação, a classe de serviço, o consumo energético da hospedagem e as atividades realizadas devem ser analisados em conjunto. As calculadoras de carbono podem oferecer uma estimativa orientativa, mas os resultados dependem dos fatores de emissão, das informações disponíveis e do método utilizado.
Uma comparação útil mantém alguns elementos constantes. Por exemplo, é possível comparar dois itinerários para o mesmo destino considerando o mesmo número de viajantes, a mesma duração da estadia e uma quantidade equivalente de bagagem. Em seguida, observam-se as diferenças na quantidade de voos, nos quilômetros terrestres, no tipo de hospedagem e na necessidade de traslados. Essa abordagem evita atribuir toda a responsabilidade ambiental a uma única decisão e ajuda a identificar as mudanças que produzem o maior efeito.
A redução da pegada de carbono não depende de uma decisão isolada, mas da soma de muitas escolhas: viajar com menos frequência, mas permanecer mais dias, preferir trajetos diretos, compartilhar traslados, usar o transporte público, escolher hospedagens eficientes e consumir de forma responsável no destino. O planejamento também melhora a operação da viagem, pois reduz conexões desnecessárias, trocas de hotel, excesso de bagagem e deslocamentos improvisados.
Um itinerário de menor impacto não precisa ser mais complicado. A chave está em comparar a viagem completa e considerar o preço, o tempo, o conforto, a quantidade de trechos e os recursos utilizados. Com uma reserva bem coordenada, o viajante pode manter seus objetivos de descanso ou trabalho enquanto reduz as emissões associadas ao transporte, à hospedagem e às atividades.